Você conhece a relação entre as florestas e a água?

Hoje dia 22 de março comemoramos o dia mundial da água e ontem dia 21 de março foi comemorado o dia internacional das florestas. Mas o que estas duas comemorações ambientais têm em comum? Toda a natureza está conectada e o equilíbrio ambiental é fundamental para a manutenção do funcionamento ecossistêmico. As florestas e toda a vida que tem nelas são dependentes da água desde plantas medindo poucos centímetros no sub-bosque, até árvores com dezenas de metros de altura. Para tanto, essas plantas dependem da água da chuva e dos rios próximos e também de rios subterrâneos.

Nós seres humanos somos dependentes desse equilíbrio ambiental, a presença das florestas é primordial para nossa existência, elas são fonte de vida, dos serviços ambientais tais como, nossos alimentos, recursos energéticos, nossa água potável.

Porém, as formações florestais no Brasil têm um passado de degradação ambiental que resultou em uma exorbitante redução da sua extensão da cobertura vegetal, e hoje em dia apesar de entendermos a importância das florestas para a nossa sobrevivência a realidade não é muito diferente, no ano de 2020 ao todo, foram 9205 km² desmatados, o equivalente a 1.100.000 campos de futebol (Greenpeace Brasil).

Além dos desmatamentos, nos últimos anos tem ocorrido um alerta diante dos problemas com os recursos hídricos, seja com a escassez de água durante o período de seca, seja com o excesso de água e as recorrentes inundações na época chuvosa. Diante disso, fica claro que essas alterações são influenciadas pela baixa taxa de infiltração no solo devido à falta de cobertura vegetal (ocasionada pelo desmatamento) que é fundamental para, diminuir a velocidade que a água da chuva chega ao solo, diminuindo assim seu escoamento superficial o que pode ocasionar em enchentes e erosões (Freitas et al. 2013).

Quando a água da chuva precipita sobre a mata ela pode seguir dois caminhos: no primeiro deles ela volta à atmosfera por evaporação do solo e da planta (evapotranspiração); no segundo ela atinge o solo, através das folhas ou das cascas das árvores. Em seguida, parte da água que chega ao solo sofre escoamento superficial e vai para os reservatórios e mananciais e a outra parte fica armazenada temporariamente no solo (infiltração), o que vai sustentar os lençóis freáticos e mananciais subterrâneos (Freitas et al. 2013).

Por tanto, fica nítido a importância da manutenção e preservação das florestas para a “existência” da água para os mais diversos fins, sejam eles, a agricultura, produção de energia, lazer, transporte, higiene, água potável para consumo, dentre outros fins.

Assim, a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas atua na sociedade através de projetos que visam a preservação e conservação da Mata Atlântica, suas fitofisionomias, e seus recursos hídricos; pela produção de estudos e parcerias neste bioma; além da produção e doação de mudas nativas para a população.

Fotos:Angela Liberali Pinheiro (1,2) e Ernesto de Oliveira Canedo Júnior (3).

FREITAS, J. P. O. D.; DIAS, H. C. T., BARROSO, T. H. A.; POYARES, L. D. B. Q. Distribuição da água de chuva em Mata Atlântica. Revista Ambiente & Água, v. 8, n. 2, p. 100-108, 2013.

A Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas possui agora um Herbário digital aberto para consulta de todo acervo

No último dia 23 de fevereiro, a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas (FJBPC), em parceria com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, integrou o acervo do seu Herbário – Anders Fredrik Regnell (AFR) ao sistema JABOT. O JABOT é um sistema de gerenciamento de coleções científicas, desenvolvido no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que disponibiliza dados do acervo biológico de forma online e gratuita, possibilitando aos usuários do sistema o acesso a dados e imagens das exsicatas e coleções correlatas. Atualmente, 55 instituições do país já utilizam esse sistema de gerenciamento, como o próprio Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Museu Nacional da UFRJ, IBGE, Embrapa, entre outras.

Inicialmente, o Herbário AFR já disponibilizou os dados de 4417 exsicatas depositadas no acervo, a maioria da região do Planalto de Poços de Caldas e Serra de Caldas, sendo posteriormente disponibilizadas as imagens digitalizadas destes testemunhos. A curadoria estima que muito em breve, além de todo Banco de Dados da coleção Botânica, outras coleções pertencentes a FJBPC como a coleção de fungos, a coleção viva e a carpoteca também estarão disponíveis no sistema.

O intuito é permitir o uso colaborativo desses dados a usuários, pesquisadores e outras instituições de forma remota e acessível. É um passo importante para a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas e para o Herbário AFR, pois além de gerar melhorias na qualidade e processamento de dados, possibilita analises e pesquisas ambientais. A disponibilização do banco de dados da biodiversidade regional é imprescindível para o conhecimento florístico e pesquisas que visam a preservação de espécies vegetais e conservação do ecossistema.

Para consultar o Herbário AFR digital acesse o link  http://afr.jbrj.gov.br/

 

 

Flávia Nogueira Pereira

Curadora do Herbário Anders Fredrik Regnell 

  

Categoria: 
Conservação

Periódico Regnellea Scientia

Regnellea Scientia é o periódico científico da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de Alfenas (PPGCA-UNIFAL), dedicado a publicações em formato de artigo científico, resenha, nota técnica e revisão bibliográfica. Para mais informações sobre a revista e sobre as normas de publicação acesse nosso site: http://sites.google.com/view/revista-regnellea-scientia/página-inicial

Em caso de dúvidas entrar em contato através do e-mail regscientia@gmail.com

 

Edição Especial Revista RegnelleaScientia “Educação e Gestão Ambiental”

No dia 30 de dezembro de 2020 a RegnelleaScientia, revista científica da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da UNIFAL publicou a Edição Especial “Educação e Gestão Ambiental”. Esta Edição Especial nasceu da parceria entre a RegnelleaScientia e o Congresso Nacional de Meio Ambiente – Poços de Caldas, que em 2020 realizou sua 17ª edição nos dias 23 e 24 de setembro. A equipe editorial da revista avaliou e selecionou alguns trabalhos relacionados às temáticas Educação e Gestão Ambiental, e os autores dos trabalhos selecionados foram convidados para publicarem o artigo completo na Edição Especial da revista. Os artigos completos recebidos ainda passaram por mais uma revisão realizada por pesquisadores que atuam nas áreas de Educação Ambiental e Gestão ambiental.

A Educação Ambiental e Gestão Ambiental são temas de grande relevância, visto que afetam diretamente a sociedade promovendo melhorias nos processos educativos, na qualidade de vida das pessoas e na conservação da natureza. Por estes motivos estes temas foram escolhidos para comporem a primeira Edição Especial da RegnelleaScientia.

Acessando o site da revista através do link:https://sites.google.com/view/revista-regnellea-scientia/edi%C3%A7%C3%A3o-atual você poderá visualizar esta e outras edições.

Categoria: 
Educação Ambiental

Mas é só uma plantinha! A coleta ilegal de plantas da natureza é crime, você sabia?

Angela Liberali Pinheiro

Comércio ilegal de espécies silvestres

Após a perda de habitat, a retirada de espécies para subsistência e comércio é a segunda maior ameaça à fauna e flora silvestres (LIMA, 2007). Os impactos ambientais causados pelo comércio ilegal de espécies são responsáveis não só pela perda da diversidade, mas também pelas mudanças climáticas, alterações no ecossistema local, mudanças na cadeia alimentar, desequilíbrios nos ciclos reprodutivos e até por novas doenças que afetam a própria raça humana (MARGULIES et al., 2019).

A fauna e a flora, assim como os outros recursos ambientais, exercem uma função no ecossistema, e são indispensáveis para o seu equilíbrio, nesse sentido todas as espécies são insubstituíveis e a ausência de qualquer uma delas altera toda a dinâmica do sistema (PARRON et al., 2015).

O Bioma Mata Atlântica é um dos mais ameaçados e com a maior concentração de espécies em perigo por ter sido reduzido a 7,3% de sua extensão original (OLMOS et al., 2004).

A APA da Pedra Branca está situada em área de Mata Atlântica, e foi instituída pela Lei n° 1973 de 2006. Compreende uma área de 11.955,433 ha, abriga rica biodiversidade, com espécies endêmicas que só ocorrem naquela região, e pelo menos 10 espécies da flora ameaçadas de extinção (REZENDE et al., 2013).

No dia 12/07/2020, após receber denúncia anônima, a ONG Aliança em Prol da APA da Pedra Branca informou a Polícia Militar de Minas Gerais sobre a retirada ilegal de material biológico naquele dia. A PM-MG flagrou a infração ocorrendo e recolheu o material que estava sendo coletado possivelmente para a venda. A mesma Aliança solicitou apoio à equipe técnica da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas/MG, que recolheu o material para alocação das espécies em seus viveiros de conservação exsitu de espécies nativas. Foram identificadas sete diferentes espécies de orquídeas são elas: Gomesacf. varicosa; Brassavolatuberculata; Catteyacernua; Bifrenariaharrisoniae; Maxillariapicta, Epidendrumavicula; Anathallisrubens.

As orquídeas farão parte da coleção viva do Jardim Botânico de Poços de Caldas, recebendo identificação, como nome da espécie, local de origem e informações concernentes à conservação de cada uma delas. Num primeiro momento elas serão mantidas em estufas (conservação ex situ) até que se restabeleçam, já que foram retiradas ilegalmente de seu ecossistema. Espera-se que futuramente elas possam fazer parte de um projeto de reintrodução e monitoramento de espécies no Bioma da Mata Atlântica. 

Figura 1: Espécies de orquídeas apreendidas pela PM-MG.

 

A retirada de espécies segundo a Legislação

As orquídeas são plantas muito visadas pelo mundo todo, de forma que a legislação brasileira só permite a comercialização de orquídeas quando forem reproduzidas artificialmente, ou seja, em laboratório, e que estejam constantes na CITES que é a sigla para – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. (MARTINS, 2007).

Por fim, temos duas legislações vigentes que garantem a proteção da Mata Atlântica e da flora, respectivamente, a Lei n° 11.428 de 2006 e a Lei n° 9.605 de 1998, que prevêem penalidades para os infratores (BRASIL, 2006; BRASIL, 1998).

As penalidades abrangem os atos como: ação ou omissão de pessoas físicas ou jurídicas que resultem em dano à flora, à fauna e aos demais atributos naturais; destruir ou danificar a vegetação do Bioma Mata Atlântica; causar dano direto ou indireto às Unidade de Conservação; desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta sem autorização do órgão competente; penetrar em Unidades de Conservação com substâncias ou instrumentos para caça ou exploração sem licença de autoridade competente. As penas incluem detenção e multa, ou ambos dependendo do caso. As penas podem variar de seis meses a cinco anos de retenção (BRASIL, 2006; BRASIL, 1998).

 

Referências

BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Lei de Crimes Ambientais. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Diário Oficial da União, 1998.

BRASIL. Lei n. º 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma mata atlântica, e dá outras providências. Diário Oficial da União, n. 246, 2006.

LIMA, G. G. B. A conservação da fauna e da flora silvestres no Brasil: a questão do tráfico ilegal de plantas e animais silvestres e o desenvolvimento sustentável. Revista Jurídica da Presidência, v. 9, n. 86, p. 134-150, 2007.

MARGULIES, J. D.;BULLOUGH, L. A.;HINSLEY, A.;INGRAM, D. J.;COWELL, C.;GOETTSCH, B.; PHELPS, J. Illegalwildlife trade andthepersistenceof “plantblindness”. Plants, People, Planet, v.1, n. 3, p.173-182, 2019.

MARTINS, T. S.A convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e flora selvagens em perigo de extinção (CITES) e sua implementação no Brasil: das expectativas de proteção à mercantilização da vida. 2007. Tese de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, 2007.

OLMOS, F; BERNARDO, C. S. S.; GALETTI, M. O impacto dos guaranis sobre Unidades de Conservação em São Paulo. Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Natureza–O desafio das sobreposições territoriais.Instituto Socioambiental, São Paulo, p. 246-261, 2004.

PARRON, L. M.; GARCIA, J. R.; OLIVEIRA, E. B.; BROWN, G. G.; PRADO, R. B. Serviços ambientais em sistemas agrícolas e florestais do Bioma Mata Atlântica. Embrapa Florestas-Livro científico (ALICE), 2015.

REZENDE, M. G. D.; ELIAS, R. C. L.; SALIMENA, F. R. G.; MENINI, N. L. Flora vascular da Serra da Pedra Branca, Caldas, Minas Gerais e relações florísticas com áreas de altitude da Região Sudeste do Brasil. Biota Neotropica, v. 13, n. 4, p.201-224, 2013.

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