Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas conclui o protocolo de multiplicação in vitro de espécie criticamente ameaçada de extinção.

A missão da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas está relacionada à conservação da flora regional, com foco principal na região do planalto de Poços de Caldas e áreas de importância ecológica adjacentes. Diversos fatores influenciam a diversidade biológica de espécies ocasionando a ameaça dessas, com muitas vezes, aumento no risco de extinção.

Uma das espécies de interesse para a conservação é Anthaenantiopsis fiebrigii, pertencente à família Poaceae (gramíneas), integrante da Lista Nacional de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, com status de criticamente em perigo de extinção. No município de Poços de Caldas, foi verificada a redução de 80% da vegetação nativa de A. fiebrigii, sendo as principais causas dessa redução relacionadas com a perda de habitat para o uso do solo como pastagem e plantio de capim gordura (Melinis minutiflora). (CNCFlora, 2019).

Além disso, a espécie caracteriza-se pela distribuição bastante restrita, e que apresenta problemas de propagação. Para todos os indivíduos estudados até a atualidade, em nenhum deles foi observada a produção de sementes viáveis, inviablizando, assim, a produção de mudas por métodos convencionais.

Como proposta para a solução deste problema foi realizada a técnica de micropropagação vegetal in vitro, que consiste do cultivo de células meristemáticas em recipientes semi-herméticos, sob condições assépticas, com o controle de luminosidade, temperatura, umidade e pH, utilizando meios de cultura artificiais. Estas técnicas atuam na produção rápida de milhares de clones de uma planta a partir de uma única célula vegetal somática ou de um pequeno pedaço de tecido vegetal (explantes), que quando colocados em condições adequadas originam novos indivíduos.

Nos trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Propagação de Plantas do Jardim Botânico de Poços de Caldas foi possível gerar novos indivíduos a partir do cultivo in vitro de meristemas da planta. Para isso, foi realizado o isolamento de meristemas pela técnica de microestaquia, seguida pela multiplicação em meio nutritivo. Para estimular a multiplicação e alongamento da parte aérea da planta foram adicionadas diferentes concentrações de hormônios que favorecem esse desenvolvimento, e após o desenvolvimento da parte aérea, combinações de hormônios que estimulam o enraizamento do capim foram utilizados.

Com a formação do sistema radicular e parte aérea, os indivíduos foram submetidos à adaptação ao ambiente externo. Para isso, esses foram retirados dos frascos e tiveram suas raízes lavadas para a retirada do excesso de meio de cultura, e em seguida, plantados em vasos plásticos contendo substrato comercial. Para a manutenção da umidade após a retirada do ambiente in vitro, os vasos foram acondicionados em sacos plásticos fechados pelo período de 14 dias. Após a retirada dos sacos plásticos, os vasos foram encaminhados para estufa, no qual permaneceram por 45 dias. Nesse período, foi realizada a aplicação de solução de micronutrientes, favorecendo o crescimento e desenvolvimento da planta. Quando os indivíduos atingiram cerca de 20 cm de altura, esses foram plantados em ambiente natural, finalizando o ciclo de produção de indivíduos dessa espécie.

Avaliações serão agora realizadas nos indivíduos de A.fiebrigii plantados, visando acompanhar o desenvolvimento da espécie. Espera-se como resultado a criação de um banco de germoplasma para o cumprimento da meta de implantação de um plano de ação para a conservação da espécie. Segue algumas imagens ilustrando o processo descrito.

 

     

    

 

   

 

Fotos: Daniele Reis/João Paulo Trevisan

Produção de mudas in vitro de Anthaenantiopsis fiebrigii: A – Inoculação dos explantes em meio de cultura e sequência de crescimento e multiplicação dos explantes; B – Enraizamento dos explantes; C, D – Retirada dos indivíduos do meio de cultura, e lavagem em água; E – Plantio em vasos plásticos com substrato comercial; F – Acondicionamento dos vasos em sacos plásticos para aclimatação; G, H – Indivíduos transferidos para estufa após aclimatação; I, J – Plantio de indivíduos da espécie no ambiente natural de ocorrência.

Categoria: 
Conservação
Pesquisa

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