Notícia publicada no Jornal da Mantiqueira 21/09/2021

Poços de Caldas, MG – Nenhum ser humano pode negar a importância das árvores para o planeta. As espécies colaboram para a qualidade de vida de todos, podendo ser fonte de alimentação e abrigo para incontáveis animais. São infinitas as variedades de espécies de árvores no mundo, sendo que apenas no território brasileiro existem mais de 8 mil delas.

Poços de Caldas abriga também grande abundância de espécies, que além dos benefícios à população ainda deixam as montanhas e os jardins muito mais belos.

Porém, nem tudo é apenas beleza dentro dos parâmetros da flora local. Neste Dia da Árvore, o Mantiqueira entrevista as biólogas Angela Liberali Pinheiro e Flávia Nogueira Pereira, que atuam na Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas. De acordo com elas, o Planalto de Poços de Caldas está inserido no Bioma da Mata Atlântica, um dos biomas de maior biodiversidade do mundo e que vem sofrendo com desmatamento e exploração predatória da flora, fato que leva algumas espécies de arbóreas ao risco de extinção.

“Podemos citar ao menos 10 espécies arbóreas que estão sob o risco de alguma ameaça no planalto de Poços. Três que são muito conhecidas pela população podem ser consideradas em perigo de extinção. O Jequitibá Rosa [Cariniana legalis], que tem categoria de ameaça ‘em perigo’ [EN]. Seu nome é proveniente do tupi-guarani e significa gigante da floresta, é uma das maiores árvores brasileiras, medindo até 60 m de altura, com troncos de 4 metros de diâmetro. A Araucária (Araucaria angustifolia), com categoria de ameaça ‘em perigo’ [EN] também. As florestas de araucária foram intensamente desmatadas para obtenção de madeira. Sua área remanescente original está em cerca de 5%. As sementes são fonte de alimento para a fauna e apreciados na alimentação humana, o pinhão. Atingem até 20 m de altura. A Peroba rosa (Aspidosperma polyneuron) está na categoria de ameaça ‘quase ameaçada’ [NT]. É outro gigante das florestas e de extrema importância para recuperação e enriquecimento dos locais degradados. Atingem de 6 até 30 m de altura”, contam as profissionais.

As categorias citadas estão elencadas na lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), que criou o maior catálogo sobre o estado de conservação de plantas, animais, fungos e protozoários de todo o planeta.

Na lista vermelha da IUCN, as espécies são classificadas em grupos: EX (extinta), EW (extinta na natureza ou extinct in the wild), CR (criticamente em perigo ou critically endangered), EN (em perigo ou endangered), VU (vulnerável ou vulnerable), NT (quase ameaçada ou near threatened), LC (pouco preocupante ou least concern).

ESPÉCIES AMEAÇADAS EM POÇOS

As biólogas dizem que em Poços e seu planalto, dentre as espécies já citadas, estão sob algum tipo de perigo o Cedro Rosa (Cedrela fissilis – categoria vulnerável), Cedrinho do Brejo (Cedrela odorata, vulnerável), Palmito Juçara (Euterpe edulis, vulnerável), Canela sassafrás (Ocotea odorífera, em perigo), Bucho de Carneiro (Zeyheria Tuberculosa, vulnerável), Imbuia (Ocotea porosa, em perigo), Canela guaicá (Ocotea puberula, quase ameaçada).

ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO

Angela e Flávia salientam que a Fundação Jardim Botânico adota estratégias de conservação da diversidade florística em sua área de atuação, buscando a manutenção de recursos genéticos através de ações de conservação in situ e ex situ, principalmente de espécies sob risco de extinção. “Os trabalhos com as espécies ameaçadas de conservação in situ envolvem monitoramento em campo de matrizes, mapeamento de novos indivíduos, contagem populacional e marcação de áreas prioritárias para estudos e conservação. Já a conservação ex situ consiste, na manutenção gênica de espécies fora de seu habitat, ela pode ser desenvolvida em cinco modalidades distintas, dentre elas a Fundação executa a coleta e armazenamento de sementes, armazenamento e cultivo in vitro, arboreto, que é o cultivo de espécimes destas espécies nas dependências da Fundação, e armazenamento de DNA. Outra atividade da Fundação é a produção e desenvolvimento de mudas de arbóreas nativas para projetos de reflorestamento, atividade de cunho socioambiental que busca apoiar ações positivas para o meio ambiente em nossa comunidade e região”, esclarecem as biólogas.

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