PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DA FLORA DO BIOMA MATA ATLÂNTICA - PLANALTO DE POÇOS DE CALDAS - CAMPO DE ALTITUDE

 

 

Visão Geral dos  Programas de Pesquisa , Conservação e Educação Ambiental da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas

 

O Jardim Botânico de Poços de Caldas busca integrar as três áreas de atuação (pesquisa - conservação - educação ambiental) de um jardim modelo, com o mesmo peso e harmonia na sua estrutura e planejamento.

Para tanto a FJBPC adotou o Plano de Ação dos Jardins Botânicos Brasileiros como diretriz para os passos da sua implantação, que se iniciou em 2003.

 A instituição criada, através de Lei, é uma Fundação Pública, de vinculação municipal, e nasceu como jardim baseado na Resolução CONAMA 399.

Logo de início declarou a sua Missão que norteia e permeia os programas de pesquisa, conservação e educação ambiental para a conservação.

 

  

 

Vale lembrar a sua missão:

     Atuar na conservação da flora, em especial a do Planalto de Poços de Caldas e região, através da pesquisa, educação ambiental e manutenção de um acervo, em observação aos preceitos legais e científicos, contribuindo para a meta global de manutenção da biodiversidade para as futuras gerações.

     O jardim conta com uma área de aproximadamente 50 hectares para sua implantação, localizada às margens do Ribeirão das Antas, na porção oeste do município. As áreas foram obtidas através de doações (Irmãos Ribeiro e Prefeitura Municipal de Poços de Caldas), apresentando remanescentes de campos nativos e matas ciliares. É à partir do profundo conhecimento desta área, que se desenvolvem os programas apresentados de forma breve a seguir.

 

  

 

Programa de Pesquisa Científica

     Privilegiam-se os projetos locais de conhecimento da flora regional e o lema Conhecer para Conservar. Neste sentido foi priorizado o resgate histórico de três séculos de estudos do ambiente e paisagem do Planalto de Poços de Caldas. A conversão de áreas naturais em pastagens para fins de agropecuária sempre foi marcante em todo o planalto de Poços de Caldas. Há registros de atividade minerária e pastoril desde o século XVIII (Williams et al., 2001). Pimenta (1998) cita “o desbravamento da região pelos bandeirantes e mineiros durante o ciclo do ouro e o início da ocupação induzida pelo ciclo pastoril em meados do século XVIII”, de modo que a paisagem original da região começou a ser modificada desde então. Assim, obter uma relação das espécies vegetais que ocorriam no planalto durante esse período mostrou-se um meio eficiente para a seleção das espécies que deveriam compor a primeira coleção de plantas do Jardim Botânico de Poços de Caldas, uma vez que essas espécies poderiam ser consideradas como nativas e originais da região, não tendo sido introduzidas para fins econômicos e nem extintas por queimadas para rebrota da pastagem. 

     Para tal, iniciou-se uma busca na literatura botânica à procura de obras que trouxessem informações sobre a flora original do planalto.

     Há de se destacar a figura do  médico e botânico sueco Anders Fredrik Regnell nasceu em 1807 na cidade de Estocolmo. Em Caldas exerceu a profissão de médico. Não esquecendo seu amor pela botânica, colheu amostras de plantas que enviava para o Museu Nacional do Rio de Janeiro e para o Museu Botânico da Universidade de Upsala e à Academia Real de Ciência de Estocolmo, em seu país natal. Durante mais de 40 anos dedicou-se ao estudo da flora mineira, mantendo em sua residência um herbário com milhares de espécies. Financiou, ainda, muitas expedições de cientistas botânicos. Viveu em Caldas, onde exerceu a medicina de abril de 1841 até sua morte em 12 de setembro de 1884, deixando em testamento uma grande importância em dinheiro para a escola onde estudou para que a mesma montasse um herbário, que hoje tem seu nome: “Regnelliam Herbarium”. Ao mesmo tempo , a demanda imposta pela atividade mineradora e industrial na região conduziu as linhas de pesquisa para gerar contribuições visando não só o entendimento da paisagem original mas os desafios e possibilidades da sua restauração.

     Nesta mescla de passado e futuro se iniciaram alguns projetos de pesquisa, que com dificuldade a FJBPC vem desenvolvendo. No presente momento a FJBPC desenvolve pesquisas na APA da Pedra Branca em Caldas, região onde Regnell coletou e estudou a sua flora, na área do jardim botânico com experimentos de restauração ambiental e nas unidades de conservação pertencentes à CBA e Prefeitura.

     Outro ponto de destaque , numa outra direção, é a experiência e oportunidade que o jardim botânico tem em apoiar e promover a implantação e projetos de outros jardins botânicos. O trabalho mais relevante se deu através de convênio com  a Fundação Florestal do Estado de São Paulo para a elaboração do Plano Diretor e Projetos Paisagístico e Arquitetônico do Jardim Botânico de Cubatão. Este jardim a ser instalado no Parque estadual da Serra do mar , se constitui no maior programa sócio ambiental do Governo de São Paulo e o maior investimento público em programas desta natureza. Pela sua complexidade, foi exigido um esforço de uma equipe multidisciplinar onde se tratou de vários aspectos para sua concretização. Na seqüência a FJBPC se envolveu com a criação e implantação do Jardim Botânico de Florianópolis, o Jardim Botânico de São José e a reestruturação do Jardim Botânico de Manaus. Esta atividade se constituiu numa oportunidade de captação de recursos para o jardim botânico que está sendo lembrado sempre que se pensa na criação de um novo jardim botânico. Este trabalho se deve a atuação da RBJB que tem envolvido a FJBPC nos processos de criação e implantação de novos jardins.

 

  

 

Programa de Conservação

     A ênfase está na composição e implantação de coleções de plantas, dentro das normas, com rigor da informação, e compromisso com a composição de um acervo de referencia. Alguns jardins botânicos brasileiros estabeleceram suas próprias políticas de coleções, entretanto, existe uma política de coleções que é sugerida pela Rede Brasileira de Jardins Botânicos. Esta é a política de coleções adotada pelo Jardim Botânico de Poços de Caldas durante sua implantação. A adoção desta política de coleções declara a intenção do Jardim Botânico de Poços de Caldas de colaborar com os esforços internacionais para conservação de espécies desde o início de suas atividades, em concordância com a Rede Brasileira de Jardins Botânicos, que ao oferecer uma sugestão de política de coleções busca promover a integração entre as atividades dos diversos jardins botânicos brasileiros.

     Por definição, um jardim botânico deve abrigar coleções de plantas vivas cientificamente reconhecidas, organizadas, documentadas e identificadas, com a finalidade de estudo, pesquisa e documentação do patrimônio florístico do país, acessível ao público, no todo ou em parte, servindo à educação, à cultura, ao lazer e à conservação do meio ambiente. O Jardim Botânico de Poços de Caldas vem desenvolvendo alguns estudos para estabelecer o planejamento do manejo de coleções vivas, sendo que nesta etapa inicial mostrou-se fundamental definir o que teremos e por que teremos.

     Ou seja: quais espécies deverão compor a coleção de plantas vivas do Jardim Botânico de Poços de Caldas?

      Para esta pergunta está se construindo uma resposta que se estrutura numa sobreposição de prioridades.Tratamos pois das plantas do Planalto de Poços de Caldas, das plantas que figuram nas listas de espécies ameaçadas e das plantas que Regnell coletou e/ou descreveu. Como decorrência deste critério já estamos estruturando coleções com especial atenção à lista oficial de ameaçadas, e já temos 10 espécies conservadas ex situ no JBPC. Em outra vertente trabalhamos o valor multicultural das plantas em coleções etnobotânicas que resgatam valores tradicionais, como é o caso da coleção temática de plantas de uso culinário. Estas coleções são tratadas com mais detalhe no volume de específico das coleções de plantas da FJBPC, no  caso as bromélias da APA da Pedra Branca, as orquídeas e o nosso arboreto.

      Outro trabalho de destaque é o desenvolvido pelo Núcleo de Cultivo, Produção e Propagação Vegetal (nosso viveiro de mudas) no mapeamento  de matrizes, produção de mudas para reabilitação e restauração ambiental, também tratados com detalhe nos volumes de produção de mudas e projetos de pesquisa.

 

  

 

Programa Educação Ambiental

      A educação ambiental (EA) envolve a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e competências vinculadas à conservação e comprometimento com problemas futuros. Buscando assim, uma maior harmonia do ambiente com a vida. Um dos princípios básicos na EA é o reconhecer que a proteção da diversidade de todas as formas de vida é essencial para a sobrevivência também dos seres humanos. (GENEBALDO FREIRE DIAS, 2004).

      Essa visão educacional deve estar atrelada a situações pedagógicas, onde alunos, professores e comunidade sejam capazes de tecer relações culturais e históricas com o a biodiversidade a sua volta. (PHILIPPI JUNIOR E PELICIONE, 2002) Lembrando, assim, que os Jardins Botânicos, apesar da amplitude planetária de seus objetivos e perspectiva, têm nas realidades locais a base para sua atuação.

     O jardim Botânico de Poços de Caldas tem como uma de suas metas a preservação da flora, em especial do planalto local e regional através de pesquisas, educação ambiental e manutenção de suas coleções, em observação aos preceitos legais e científicos, contribuindo para meta global de conservação da biodiversidade para as futuras gerações.

      A educação ambiental pensada para jardins botânicos deve contemplar o valor das plantas e dos ecossistemas, bem como a utilização das espécies vegetais pelo homem, direta ou indiretamente.

 

      Para isso, a FJBPC foca seu trabalho, principalmente, em quatro públicos:

      Público espontâneo – visitantes e turistas;

      Público escolar – com agendamento de escolas;

      Público adulto - agendamento de grupos;

      Público técnico ou pesquisadores

      As atividades desenvolvidas para cada tipo de público são contextualizadas e pensadas a fim de consolidar novos valores ambientais e posturas “individuais e coletivas em relação ao ambiente” e, para tanto deve estar baseada na realidade local.

      Visando atender as demandas permanentes e/ou geradas para eventos pontuais, foi elaborado o programa permanente de educação ambiental (PPEA), e posteriormente, o projeto político pedagógico de atividades educacionais do JBPC, que contempla uma diversidade de atividades destinadas a públicos diferentes, respeitando a característica de cada grupo, e seguindo os planos nacionais de educação (PCNs).

     Tendo como diretriz o plano de ação dos Jardins Botânicos Brasileiros (2004) apontamos os seguintes objetivos específicos com relação ao nosso público:

      Educar para a conservação da biodiversidade assegurando a cultura regional

     Desenvolver as relações de uso e conservação da diversidade florísticas, entendendo-a como patrimônio brasileiro.

      Garantir que a importância vital dos JB para a conservação seja reconhecida.

  Estimular atitudes preservacionistas, cooperativistas, conscientes da integração homem/natureza.

    Nossas ações são desenvolvidas em formato de visitas agendadas e espontâneas sendo dirigidas com ou sem monitores.

Abaixo, algumas das oficinas oferecidas recentemente:

  • Visitas ao núcleo de produção, cultivo e propagação vegetal 
  • Oficina de Folhas
  • Oficina de Observação de Pássaros
  • Jogo da Memória: Lista de árvores para o jogo
  • Observação de pegadas de mamíferos
  • Arvores Notáveis do Viveiro de Mudas 

 

 

       Visão Particular do Programa de Conservação da Flora – Bioma Mata Atlântica – Conservação dos Recursos Genéticos e Restauração da Flora do Planalto de Poços de Caldas – Ênfase nos CAMPOS DE ALTITUDE

A conservação dos recursos genéticos e a sustentabilidade

       As atividades de conservação de recursos genéticos são fundamentais tanto para a preservação da natureza como para a segurança alimentar do planeta. O termo recursos genéticos, sucessor de germoplasma, foi criado para designar a variabilidade genética das espécies, com atributos especiais que lhe permitam o seu uso no desenvolvimento de cultivares de alto valor agroeconômico, social e ambiental.     Atualmente, os recursos genéticos ou germoplasma passaram a ter um outro significado, o de reserva estratégica de genes e não apenas de genótipos.  Na medida em que se manipulam genes, acabam-se as barreiras genéticas biológicas até então impeditivas do seu fluxo entre indivíduos, ao nível de gênero ou de espécie. A preocupação com a conservação dos recursos genéticos tem uma dimensão mundial.

       Das prováveis 500 mil espécies de plantas superiores existentes no planeta, cerca de 7.000 já foram utilizadas pelo homem ao longo dos tempos. Entretanto, nas últimas décadas vem ocorrendo uma acelerada erosão genética devido basicamente a desmatamentos e incêndios, com o risco atual das mudanças climáticas, comprometendo a existência desses recursos vegetais, tanto in situ como ex situ e, conseqüentemente, a própria qualidade de vida dos seres vivos do planeta. Não obstante, sabe-se que apenas 300 espécies vêm sendo aproveitadas na alimentação humana, sendo que 15 culturas - amendoim, arroz, banana, batata, batata-doce, beterraba, cana-de-açúcar, cevada, coco, feijão, mandioca, milho, sorgo, soja e trigo – são responsáveis por 90% dos alimentos consumidos pela população mundial. Além disso, os componentes nutricionais do arroz, trigo e milho correspondem a 51% de toda a energia humana derivada dos vegetais. O Brasil possui aproximados 44.000 a 50.000 espécies de plantas vasculares, o que representa aproximadamente 18% da diversidade vegetal do mundo.

     A única garantia de sustentabilidade a curto prazo é através conservação e utilização adequada dos recursos genéticos. Para tanto é necessário investir continuamente em atividades de pesquisa que favoreçam a conservação e a disponibilidade dos recursos genéticos de forma organizada, com informações técnicas que permitam a utilização racional do germoplasma para plantio ou para o seu melhoramento genético, criando novas opções alimentares saudáveis, de alto valor nutritivo e medicinal.

        A Região Sudeste do Brasil, onde assim como o clima a vegetação também é muito variada, persistem resquícios da Mata Atlântica, do Cerrado, Caatinga, Campos, Mata de Araucárias, Matas de Galeria, muito afetadas pelo grande desenvolvimento populacional da região. A área nativa é responsável por abrigar parte importante de nossa flora, fauna e microbiota nativa, e ainda serve de referência nacional por conservar quantidade substancial de germoplasma ex situ de plantas nativas e exóticas, mesmo on farm, de coleções científicas de microorganismos e de germoplasma animal, material de importância estratégica para a nossa sustentabilidade.

      Criar e manter estas coleções e bancos de germoplasma é algo básico para qualquer trabalho de gestão de recursos genéticos, necessidade que vem sendo exaustivamente discutida no país, especialmente nos fóruns de recursos genéticos. Tal gestão se viabiliza com a obtenção de dados básicos de localização, representatividade, conservação, infraestrutura, intercâmbio e das necessidades de seus curadores ou zeladores, neste caso o Jardim Botânico de Poços de Caldas.

 

 

  

 

Atividades Básicas do Programa

      As atividades básicas necessitam ser permanentes e contínuas, e destacamos algumas que contribuem para os objetivos deste programa, nas três esferas de atuação ( Conservação – Pesquisa – Educação Ambiental):

 

        I) Conservação da Biodiversidade e Recursos Genéticos do Planalto de Poços de Caldas

  • Implantação, Manutenção e Gestão das Coleções Científicas do Jardim Botânico de Poços de Caldas

 

         A FJBPC iniciou recentemente o processo de classificação e tombamento de seu acervo no sistema integrado de informações,e conta com as seguintes coleções:

 

  1. Orquídeas
  2. Bromélias
  3. Arboreto e Aléias
  4. Coleções Etnobotânicas – Plantas de Uso Culinário – Botânica Econômica
  5. Coleções Etnobotânicas - Exóticas Notáveis
  6. Coleção Especial da Flora do CAMPO DE ALTITUDE

 

  • Definição da representatividade de cada coleção, tanto no que diz respeito às espécies conservadas, quanto à abrangência geográfica (estado/município) de cada espécie, ou variedade, mantida na coleção;
  • Levantamento e avaliação da infraestrutura/condições existentes em cada local para a conservação in situ, e ex situ de recursos genéticos da fauna, da flora e dos microrganismos e das variedades de plantas e animais domesticadas;
  • Mecanismos e intensidade de intercâmbio de material genético (interno e externo) e atividades de pesquisa conduzida com cada uma das coleções;
  • Sistematização, em forma de banco de dados, das informações acumuladas ao longo do levantamento e da aplicação do formulário. O banco de dados deverá ser de fácil acesso e com capacidade de comunicação com bancos similares.

 

  

 

        II) Pesquisa da Biodiversidade e Recursos Genéticos  do Planalto de Poços de Caldas

 

  • Conhecer Para Conservar: Obra do Naturalista Anders F. Regnell

 

         Esta atividade, dentro do Programa da Coleção Histórica Regnell, propicia a listagem de espécies coletadas por Regnell, além do possível repatriamento de material coletado, realizar coletas de material botânico visando à formação do herbário do Jardim Botânico e as coleções vivas, realizando o cruzamento dos dados obtidos com as listas vermelhas das Espécies Ameaçadas do Estado de Minas Gerais, brasileira (IBAMA) e internacional (IUCN).

          Instrui o Levantamento Florístico das áreas do Jardim Botânico, Parque da Serra de São Domingos, e coletas em locais onde Regnell excursionou, visando a  implantação das trilhas interpretativas na área do Jardim Botânico e na Serra de São Domingos e locais onde Regnell coletou.

          Estabelece um circuito e roteiro de visitação monitorada na área do JBPC e Serra de São Domingos, em Poços de Caldas, e estimula a mesma iniciativa no Maciço da Pedra Branca, em Caldas, maciço este de grande beleza cênica e de relevante importância em termos de conservação da biodiversidade na região.

          São realizadas expedições mensais no período  de 12 meses na Serra da Pedra Branca para coleta de material botânico de angiospermas. Todas as espécies em fase reprodutiva são coletadas (floração e/ou frutificação) e levadas para o herbário associado, onde são identificadas e tombadas na coleção. Em campo as espécies são georeferenciadas com o uso do GPS e os dados referentes à coloração de flores e frutos, habitat, tamanho da população, entre outros serão anotados. No herbário, as espécies serão identificadas com utilização de bibliografia especializada, floras e quando necessário, enviadas a especialistas. A lista das espécies obtida serve para comparação com as espécies ameaçadas de extinção do estado de Minas Gerais publicada pela Fundação Biodiversistas (WWW.biodiversistas.org) para definição das categorias de conservação. Esta pesquisa serve de base para a implantação da Coleção Temática A. F. Regnell do Jardim Botânico de Poços de Caldas. Além do mais gera conhecimento sobre a flora as Serra da Pedra Branca, como uma importante contribuição ao estudo da flora da Serra da Mantiqueira em Minas Gerais. O estudo da diversidade florística dessa região é de grande importância para compreender o endemismo e distribuição de espécies vegetais.

         Conhecendo a flora da Serra da Pedra Branca, poderá ser fornecido subsídios para sua conservação como fornecimento e indicação de áreas protegidas que não sofram impactos de mineração ou turismo desordenado. A comparação com a flora coletada por Regnell no início do século XIX poderá mostrar se a área sofreu perdas em sua biodiversidade ao longo dos anos e o que pode ainda ser encontrado na região.

 

  

 

 

  • A Família Bromeliaceae na APA “Santuário Ecológico da Pedra Branca”, Caldas, MG, e os estudos florísticos de A. F. Regnell na região

        Criada em 2006, a Área de Proteção Ambiental “Santuário Ecológico da Pedra Branca”, tem como intenção regulamentar o uso e a ocupação do solo no município de Caldas, MG. A área conta com aproximadamente 11.955 hectares, ou 119 km2, inseridos no Bioma Mata Atlântica.

         A flora da região desperta interesse desde a primeira metade do século XIX, quando o médico e naturalista sueco Anders Fredrik Regnell chegou à região e lá permaneceu até sua morte, em 1884.  Em Caldas, Regnell coletou espécies das mais variadas famílias de plantas, muitas delas tipos taxonômicos. O material botânico coletado por Regnell e outros naturalistas financiados por ele foi encaminhado ao Museu de História Natural de Estocolmo, onde, no Herbarium Regnellianum, constituem uma das mais importantes coleções de plantas da América do Sul e Central. O herbário do Museu Nacional do Rio de Janeiro recebeu duplicatas desta coleção.

          Alguns grupos, dentre os coletados por Regnell, aparecem com um grande número de espécies, provavelmente por sua abundância e riqueza na região. Alguns deles são: Pteridophyta, Asteraceae, Piperaceae, Cactaceae, Orchidaceae e Bromeliaceae.

         Bromeliaceae é considerada a maior família de fanerógamas (plantas com flores) de distribuição neotropical. Isto significa dizer que todas, exceto uma única espécie, das 3086 existentes estão situadas no continente Americano, desde o sul da América do Norte, passando pela América Central até chegar à Patagônia (Argentina) na América do Sul.  Apenas uma espécie é referida para o continente africano.

           Pelo fato de as bromélias constituírem parte significativa da composição florística da região, já que a Floresta Atlântica abriga a maior diversidade de espécies desta família no Brasil, sendo a maioria delas endêmicas desta formação, bem como servirem de microhabitats para uma variedade de animais e microrganismos, torna-as importante ferramenta para manutenção da biodiversidade. Além disso, a quase ausência de trabalhos taxonômicos recentes, dando continuidade àqueles iniciados por A. F. Regnell, torna importante o conhecimento da área da Apa “Santuário Ecológico da Pedra Branca” tanto para fins taxonômicos como conservacionistas.

            Assim, através do trabalho já iniciado, pretende-se listar as espécies de bromeliáceas ocorrentes na área, bem como identificar espécies não descritas para a região e/ou espécies novas, retomar os trabalhos taxonômicos iniciados por A. F. Regnell e comparar as espécies coletadas por ele e as coletadas durante este trabalho para a família em questão, com a intenção de se fazer um diagnóstico sobre o estado de conservação da área.

(Amália E. Matavelli Rosa - Bióloga - Msc. Biologia Vegetal)

 

  

 

  • FISIONOMIA DA VEGETAÇÃO DA ÁREA DO JARDIM BOTÂNICO DE POÇOS DE CALDAS – MG

 

        A investigação da fisionomia da vegetação da área da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas resultou em 4 tipos fisionômicos da vegetação, sendo elas: mata ciliar, campo sujo, campo alagado e fragmento de mata.

         Estas fisionomias representam as características da vegetação do Planalto que até os dias de hoje é pouco conhecida.

         Este foi um estudo primário de investigação que contribuirá para a interpretação da área, norteará a criação de trilhas interpretativas e dará suporte para estudos futuros de investigação florística e faunística.

          É de grande importância dar continuidade em projetos de flora, floristico e inventários no Plantalto de Poços para conhecer cada vez mais a vegetação local e posteriormente conservar que ainda resta dos grandes impactos causados pela ação antrôpica.

 

  

 

  • Restauração da mata Ciliar do Ribeirão das Antas

 

        Este trabalho teve como objetivo principal a restauração ambiental da mata ciliar do Ribeirão das    Antas na área do JARDIM BOTÃNICO DE POÇOS DE CALDAS.

        Para tanto foi utilizado a nucleação como alternativa para restauração ambiental, que por sua vez, propõe para reconstituir a biodiversidade da área degradada, uma série de técnicas:

• Transposição de solo

• Transposição de galharia

• Transposição de chuva de sementes

• Poleiros artificiais

• Plantio de mudas em ilhas de diversidade

• Plantio de mudas em linha

 

 

  •  Mapeamento de Matrizes e Composição do Banco de Sementes do jardim Botânico de Poços de Caldas 

 

          Trabalho complementar ao de restauração da mata ciliar, ocorrendo de maneira direta no Núcleo de Cultivo, Produção e Propagação Vegetal da FJBPC.

          Mapeamento de diversas espécies arbóreas, em especial as araucárias, que se encontram na lista oficial de espécies ameaçadas da flora brasileira.

 

  • Restauração e Reabilitação de reservas legais das propriedades rurais dos municípios vizinhos

 

         Numa parceria com o IEF e IMA-MG, está se fazendo o mapeamento das reservas legais de pequenas propriedades rurais no município de Poços de Caldas e outros municípios vizinhos, com o objetivo de se caracterizar qual a real situação destas áreas, identificando o potencial ambiental para fornecimento de mudas e sementes ao JB, que em troca implantará projetos de restauração ambiental.

          Já foram cadastradas 350 propriedades, e destas serão destacadas  no mínimo 100, para aplicação de projeto piloto de restauração e reintrodução de espécies nas app’s e reservas legais. O desejável é que estas áreas constituam corredores ecológicos em mosaicos de conservação.

 

           III) Educação Ambiental para  a Conservação da Biodiversidade e Recursos Genéticos do Planalto de Poços de Caldas

·Resgate da obra do naturalista Regnell visando a educação ambiental para a conservação da flora no Planalto de Poços de Caldas, MG.

  

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