Hippeastrum morelianum Lem.

Hippeastrum morelianum Lem. (Família: Amaryllidaceae)

 
Espécie endêmica do Brasil, nativa da região Sudeste, com ocorrência nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo algumas unidades de conservação. Habita campos rupestres e de altitude em afloramentos rochosos, é encontrada em uma área limitada, que vem sendo suprimida e degradada pelo turismo, agricultura, pastagem e fogo. Por isso, recebe a classificação de vulnerável (VU) quanto a ameaça de extinção. As populações podem apresentar um período de florescimento longo, geralmente de abril a outubro; seus indivíduos dispõem de bulbo superficial grande, folhas eretas e inflorescências com flores alaranjadas a vermelhas.
 
Referências 

Amaryllidaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://www.floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB43>. Acesso em: 27 mai. 2020.

 

CNCFLORA. Hippeastrum morelianum in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2. Disponível em: <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Hippeastrum morelianum>. Acesso em: 8 jun. 2020.

Herbário Anders Fredrik Regnell

Acervo AFR – Herbário Anders Fredrik Regnell

 

            O acervo AFR é composto por uma diversidade de exsicatas (amostras de plantas secas, prensadas e montadas de forma especial para uma coleção botânica), tendo fundamental importância como material de pesquisas científicas, e levantamento da diversidade de espécies da flora regional.

            A planta amostrada passa por etapas até chegar ao herbário, a começar pela localização de um exemplar fértil (com flores e/ou frutos) importantes para a identificação da espécie. Após a coleta desse material, ele passa por um processo de herborização (conjunto de procedimentos de prensagem, secagem e preparação do exemplar botânico para inclusão a coleção).

Planta viva e exsicata da família botânica Callophyllaceae – Kielmeyera variabilisMart. & Zucc.

           

            O Herbário Anders Fredrik Regnell (AFR), da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas apresenta atualmente em seu acervo mais de 4500 exsicatas, registradas e armazenadas em condições especiais de temperatura e umidade para sua conservação.

            Dentre as amostras de exsicatas encontradas no Acervo AFR, encontramos: Angiospermas (plantas vasculares com flores/frutos e sementes) e gimnospermas (plantas vasculares com sementes); Samambaias e licófitas (plantas vasculares e ausência de sementes); Briófitas (plantas avasculares, representada por musgos e hepáticas); Fungos e Coleção Etnobotânica (botânica e etnológica).

 

  

   Tabela I – Total de exsicatas do acervo AFR até 01/06/2020

           

            As angiospermas possuem maior representatividade no acervo, sendo 84% da coleção do herbário AFR. Dentre elas, as famílias mais expressivas e melhor representadas são: Asteraceae, Fabaceae e Poaceae, encontradas em todo Planalto de Poços de Caldas. Juntas elas somam 1.161 exsicatas de todo o acervo.

 Fig. 1 – Asteraceae Aspilia sp

Fig. 2 – Fabaceae Desmodium sp

Fig. 3 – Poaceae  Andropogon leucostachyus

(Exemplos de amostras vivas das famílias mais representativas)

 

E qual a importância do Herbário AFR?

  • Abrigar amostras da biodiversidade de plantas e de fungos;
  • Catalogar a diversidade de espécies da flora regional, ampliando o conhecimento sobre a florística e a distribuição geográfica;
  • Banco de dados do patrimônio vegetal, auxiliando nos apontamentos de remanescentes de vegetação nativa com potencial para preservação e restauração de áreas degradadas.
  • Oferecer suporte e apoio a atividades de ensino, pesquisa e extensão, fornecendo documentação para pesquisas botânicas, especialmente taxonômicas (técnica de classificação), florísticas, ecológicase agronômicas;
  • Atender à comunidade, mediante agendamento prévio, para fins pedagógicos e de educação ambiental;
  • Manter intercâmbio com instituições e coletores congêneres (similares) na busca e troca de informações técnico-científicas e na ampliação do acervo.

 

Curadoria do Herbário 

Referências Bibliográficas:

FIDALGO, O. & BONONI, V. L. R. Técnicas de coleta, preservação e herborização de material botânico. São Paulo: Instituto de Botânica. 1989.

 

GADELHA NETO, P. C.; PEIXOTO, L. A.; MAIA, L. C. Manual de procedimentos para herbários. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2013. 

Qual o papel da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas na conservação do meio ambiente?

Produção Angela Liberali Pinheiro

Notícia publicada no Jornal da Mantiqueira 05/06/2020

Conhecendo a flora nativa do Planalto de Poços de Caldas: Myrtaceae

Conhecendo a flora nativa do Planalto de Poços de Caldas: Myrtaceae

Angela Liberali Pinheiro

No Brasil a família Myrtaceae abrange 23 gêneros, sendo 4 endêmicos; 1010 espécies, dessas 770 endêmicas (FLORA, 2020), caracterizam-se por folhas inteiras simples e coriáceas (1), opostas (2) ou alternas (apenas gêneros não nativos), com margem inteira (3), com pontuações translúcidas no limbo foliar (4), geralmente peninérveas (5), como pode ser observado nas Figuras 1 e 2 dispostas a seguir. (CRUZ, 2012).

Figura 1: Morfologia vegetal da espécie Eugenia arenosa, apresentando as características morfológicas da família Myrtaceae. Fonte: Arquivo pessoal, Angela Liberali Pinheiro.

 

Ocorre nas 5 regiões do país e em 6 Domínios Fitogeográficos brasileiros, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal, dentre esses destaca-se a Mata Atlântica com maior ocorrência de espécies (FLORA, 2020). São exemplos de frutíferas dessa família, a goiaba (Psidium guajava), a jabuticaba (Plinia cauliflora), a pitanga (Eugenia uniflora), o araçá (Psidium cattleyanum), dentre outras. 

 

Figura 2: Morfologia vegetal da espécie Eugenia arenosa, apresentando as características morfológicas da família Myrtaceae. Fonte: Arquivo pessoal, Angela Liberali Pinheiro.

 

Está entre as famílias mais citadas em estudos florísticos e fitossociológicos (SOBRAL, 2003) na América do Sul, sendo representada principalmente por espécies frutíferas que exibem importância ecológica para os ecossistemas florestais, devido a polinização principalmente por abelhas e a dispersão dos seus frutos carnosos por diversas espécies de frugívoros, sendo um importante recurso para a manutenção da biodiversidade faunística da Mata Atlântica. Além de sua relevância ecológica, têm importância na indústria alimentícia, cosmética e de perfumaria, além do emprego na medicina popular (CRUZ, 2012). 

Nesse texto vamos abordar dois gêneros – Eugenia L., e Campomanesia Ruiz et Pav., eles abrangem algumas espécies frutíferas endêmicas que são pouco conhecidas, ou seu conhecimento permaneceu restrito na sabedoria das comunidades locais, dos técnicos e dos estudiosos da área da botânica.

O gênero Eugenia L. possui aproximadamente 378 espécies aceitas no Brasil, sendo 289 endêmicas com distribuição por todo o país (FLORA, 2020), no entanto o gênero se destaca com grande riqueza em espécies arbóreas nas Florestas Ombrófilas e Semidecíduas da Mata Atlântica. Caracteriza-se pelo hábito arbóreo ou arbustivo (3-12 metros de altura), são glabros ou com indumento de tricomas simples, flores tetrâmeras com pétalas brancas raramente rosadas e os frutos são bagas com sépalas persistentes (SOBRAL et al. 2014). Seu cultivo é apreciado devido aos frutos comestíveis e também por suas flores vistosas, por isso muitas espécies são utilizadas na ornamentação (LORENZI, 2012).

O gênero Campomanesia Ruiz et Pav. abrange 36 espécies, sendo 26 endêmicas, a maior parte dessas encontram-se na Mata Atlântica seguida do Cerrado (FLORA,2020). Caracteriza-se pelo hábito arbóreo ou arbustivo (0,5 a 27 metros de altura), folhas opostas membranáceas, com inflorescências ou flores solitárias, fruto em baga com sépalas persistentes, amarelo ou alaranjado (OLIVEIRA et al. 2012). São amplamente usadas pela população e podem ser consumidas in natura ou usadas para sucos e doces, além de seu uso na medicina popular com a infusão de suas folhas, cascas e talos. (CARDOSO et al. 2013).

As espécies abordadas serão Eugenia arenosa, que recebe o nome popular de Perinha do Campo (1); a Eugenia itaguahiensis, cujo nome popular é Grumixama Mirim (2); e Campomanesia pubescens, a Gabiroba do Campo (3). Os frutos destas espécies podem ser observados na figura 3 abaixo.

  

Figura 3: Frutos das espécies Eugenia arenosa (1), Eugenia itaguahiensis (2), e Campomanesia pubescens (3). Fonte: Arquivo pessoal, Angela Liberali Pinheiro.

 

A espécie Eugenia arenosa, Perinha do Campo, é um arbusto de 0,5 a 2,5 metros, com tricomas simples, folha oblanceolada, inflorescência com 2 a 6 flores brancas, fruto piriforme e amarelo quando maduro. Sua frutificação ocorre entre os meses de outubro-novembro. Constitui-se como uma espécie endêmica de ampla distribuição, nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, com populações disjuntas. E. arenosa é considerada como pouco preocupante (LC) em relação ao risco de ameaça. No entanto, os remanescentes de Cerrado e Campos nativos onde a espécie ocorre, são ameaçados devido à expansão de atividades agropecuárias, à invasão de espécies exóticas e à expansão urbana (CNCFlora, 2020; FLORA, 2020).

A espécie Eugenia itaguahiensis, Grumixama mirim, é uma árvore de 2 a 4 metros de altura, com flores solitárias, frutos em bagas arredondadas negras e com sépalas persistentes e mesocarpo carnoso. Sua maturação ocorre nos meses de setembro-outubro, os frutos são consumidos in natura e na forma de doces (LORENZI, 2006). Constitui-se como uma espécie endêmica de distribuição restrita, e é uma espécie não avaliada (NE) quanto ao nível de ameaça (FLORA, 2020).

A espécie Campomanesia pubescens, Guabiroba do campo, é um arbusto de 1 a 2 metros de altura que ocorre normalmente em moitas, com folhas coriáceas, pedúnculos densamente pubescentes e flores brancas solitárias. A planta é considerada melífera e ornamental, devido a desfolha no período de floração e o conseguinte revestimento por flores brancas, a floração ocorre entre os meses de agosto-setembro (DOUSSEAU, 2011; FLORA, 2020). Os frutos amadurecem nos meses de novembro-dezembro, apresenta uma polpa suculenta de sabor acidulado, os frutos podem ser consumidos in natura, na forma de sucos e doces. Constitui-se uma espécie endêmica de ampla distribuição mais precisamente nos Domínios Fitogeográficos da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. C. pubescens é uma espécie pouco preocupante (LC) em relação ao risco de extinção.

 

Referências

 

Campomanesia In: Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10307. Acesso em: 06 mai. 2020.

 

CARDOSO, C. A. L.; SALVADOR, M. J.; CARVALHO, J. E.; COELHO R. G. Avaliação das atividades antiproliferativa e antioxidante em frutos de Campomanesia pubescens. Revista do Instituto Adolfo Lutz, v. 72, n. 4, p. 309-315, 2013.

 

CNCFLORA. Eugenia arenosa In: Lista Vermelha da flora brasileira: versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em: <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Eugenia arenosa>. Acesso em 30 abr. 2020.

 

CRUZ, F. D. Sistemática e filogenética molecular do gênero Hexachlamys (Myrtaceae): através do uso de marcadores plastidiais e nucleares. 2012. Tese de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. 

 

OLIVEIRA, D. M. I. U.; FUNCH, L. S.; LANDRUM, L. R. Flora of Bahia: Campomanesia (Myrtaceae). Sitientibus série Ciências Biológicas, v.12, n.1, p. 91-107, 2012

 

DOUSSEAU, S.; ALVARENGA, A. A. D.; GUIMARÃES, R. M.; LARA, T. S.; CUSTÓDIO, T. N.; CHAVES, I. D. S. Ecofisiologia da germinação de sementes de Campomanesia pubescensCiência Rural, v. 41 n. 8, p. 1362-1368, 2011.

 

Eugenia In: Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB36942. Acesso em: 30 abr. 2020

 

GUERRERO, F. M. G.; ZIMMERMAN, L. R.; CARDOSO, E. V.; LIMA, C. A.; PERDOMO, R. T.; ALVA, R.; GUERRERO, A. T. Investigação da Toxicidade Crônica das Folhas de Guavira (Campomanesia pubescens) em Ratos Machos. Fundação Oswaldo Cruz, 2013.

 

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, v. 2, 1998.

 

LORENZI, H.; BACHER, L.; LACERDA, M.; SARTORI, S. Frutas brasileiras e exóticas cultivadas (de consumo in natura). São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora640, 2006.

 

Myrtaceae In: Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB171. Acesso em: 05 mai. 2020



SOBRAL, M. A Família Myrtaceae no Rio Grande do Sul. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Editora Unisinos. Coleção Fisionomia Gaúcha, 2003.

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