Jardim Botânico sediou Pré-Conferência da Pessoa com Deficiência

O Jardim Botânico de Poços de Caldas sediou, no início de setembro, a pré-conferência da Pessoa com Deficiência- evento preparatório para a Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Poços de Caldas, que será realizada no dia 30 de setembro de 2021, pela primeira vez por meio de plataforma virtual, tendo como tema o “Cenário atual e futuro na implementação dos Direitos da Pessoa com Deficiência: Construindo um Brasil mais inclusivo”.
Segundo Valdir Sementile, presidente da Fundação Jardim Botânico, cuidar das pessoas é uma das principais ações de preservação do meio ambiente. “Muitos entendem o meio ambiente apenas relacionado à flora e à fauna, quando, verdadeiramente, o ser humano é o grande beneficiado ou prejudicado nas ações relacionadas ao ecossistema. Assim, quando abrimos o espaço do Jardim Botânico para realizar eventos que tenham como proposta cuidar das pessoas, como foi essa pré-conferência, nos sentimos cumprindo a nossa missão, ainda mais em tempos onde a visitação de moradores e turistas a esse nosso local foi interrompida pela pandemia”. 
Instituto A
A pré-conferência foi realizada pelo Instituto A de Apoio aos Autistas e às Famílias, entidade de utilidade pública criada em 2017, composto por 130 famílias. O trabalho desenvolvido pela instituição visa promover o acolhimento, fortalecimento de vínculo, empoderamento e geração de renda de famílias de pessoas com autismo, oferecendo oportunidade para a socialização, além de projetos para aulas de judô, música, teatro e dança, palestras, cursos e simpósios. A entidade já teve 3 demandas atendidas em forma de projetos de lei (inclusão do Dia do Autismo no calendário oficial da cidade; inclusão do símbolo do autismo na placa de preferencial; carteirinha do autista ciptea).

Notícia publicada no Jornal da Mantiqueira 21/09/2021

Poços de Caldas, MG – Nenhum ser humano pode negar a importância das árvores para o planeta. As espécies colaboram para a qualidade de vida de todos, podendo ser fonte de alimentação e abrigo para incontáveis animais. São infinitas as variedades de espécies de árvores no mundo, sendo que apenas no território brasileiro existem mais de 8 mil delas.

Poços de Caldas abriga também grande abundância de espécies, que além dos benefícios à população ainda deixam as montanhas e os jardins muito mais belos.

Porém, nem tudo é apenas beleza dentro dos parâmetros da flora local. Neste Dia da Árvore, o Mantiqueira entrevista as biólogas Angela Liberali Pinheiro e Flávia Nogueira Pereira, que atuam na Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas. De acordo com elas, o Planalto de Poços de Caldas está inserido no Bioma da Mata Atlântica, um dos biomas de maior biodiversidade do mundo e que vem sofrendo com desmatamento e exploração predatória da flora, fato que leva algumas espécies de arbóreas ao risco de extinção.

“Podemos citar ao menos 10 espécies arbóreas que estão sob o risco de alguma ameaça no planalto de Poços. Três que são muito conhecidas pela população podem ser consideradas em perigo de extinção. O Jequitibá Rosa [Cariniana legalis], que tem categoria de ameaça ‘em perigo’ [EN]. Seu nome é proveniente do tupi-guarani e significa gigante da floresta, é uma das maiores árvores brasileiras, medindo até 60 m de altura, com troncos de 4 metros de diâmetro. A Araucária (Araucaria angustifolia), com categoria de ameaça ‘em perigo’ [EN] também. As florestas de araucária foram intensamente desmatadas para obtenção de madeira. Sua área remanescente original está em cerca de 5%. As sementes são fonte de alimento para a fauna e apreciados na alimentação humana, o pinhão. Atingem até 20 m de altura. A Peroba rosa (Aspidosperma polyneuron) está na categoria de ameaça ‘quase ameaçada’ [NT]. É outro gigante das florestas e de extrema importância para recuperação e enriquecimento dos locais degradados. Atingem de 6 até 30 m de altura”, contam as profissionais.

As categorias citadas estão elencadas na lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), que criou o maior catálogo sobre o estado de conservação de plantas, animais, fungos e protozoários de todo o planeta.

Na lista vermelha da IUCN, as espécies são classificadas em grupos: EX (extinta), EW (extinta na natureza ou extinct in the wild), CR (criticamente em perigo ou critically endangered), EN (em perigo ou endangered), VU (vulnerável ou vulnerable), NT (quase ameaçada ou near threatened), LC (pouco preocupante ou least concern).

ESPÉCIES AMEAÇADAS EM POÇOS

As biólogas dizem que em Poços e seu planalto, dentre as espécies já citadas, estão sob algum tipo de perigo o Cedro Rosa (Cedrela fissilis – categoria vulnerável), Cedrinho do Brejo (Cedrela odorata, vulnerável), Palmito Juçara (Euterpe edulis, vulnerável), Canela sassafrás (Ocotea odorífera, em perigo), Bucho de Carneiro (Zeyheria Tuberculosa, vulnerável), Imbuia (Ocotea porosa, em perigo), Canela guaicá (Ocotea puberula, quase ameaçada).

ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO

Angela e Flávia salientam que a Fundação Jardim Botânico adota estratégias de conservação da diversidade florística em sua área de atuação, buscando a manutenção de recursos genéticos através de ações de conservação in situ e ex situ, principalmente de espécies sob risco de extinção. “Os trabalhos com as espécies ameaçadas de conservação in situ envolvem monitoramento em campo de matrizes, mapeamento de novos indivíduos, contagem populacional e marcação de áreas prioritárias para estudos e conservação. Já a conservação ex situ consiste, na manutenção gênica de espécies fora de seu habitat, ela pode ser desenvolvida em cinco modalidades distintas, dentre elas a Fundação executa a coleta e armazenamento de sementes, armazenamento e cultivo in vitro, arboreto, que é o cultivo de espécimes destas espécies nas dependências da Fundação, e armazenamento de DNA. Outra atividade da Fundação é a produção e desenvolvimento de mudas de arbóreas nativas para projetos de reflorestamento, atividade de cunho socioambiental que busca apoiar ações positivas para o meio ambiente em nossa comunidade e região”, esclarecem as biólogas.

Jardim Botânico de Poços recebe convite para integrar Rede Internacional

A Botanic Gardens Conservation International (BGCI), uma organização não governamental sediada em Londres (Inglaterra) encaminhou convite à diretoria da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas para que a instituição faça parte de uma rede internacional formada por mais de 800 Jardins Botânicos existentes em mais de 120 países em todo o mundo. Fundada em 1987, a BGCI promove a biologia da conservação e a educação ambiental, valores esses que norteiam também as ações do Jardim Botânico em Poços.

No convite, a BGCI reafirma que “nossa visão é um mundo em que a vegetação é valorizada e a nossa missão é mobilizar jardins botânicos a garantir a diversidade vegetal para o bem estar das pessoas e do planeta”.

Ao ingressar na BGCI, a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas poderá ter acesso a uma gama de benefícios, dentre estes:

-Cursos de treinamento subsidiados através da Plataforma de Treinamento Online da BGCI;

- Suporte técnico botânico e assessoria;

-  Inclusão de pessoal no Diretório de Expertise da BGCI (quando aplicável)

-  Recursos exclusivos para bases de dados globais: PlantSearch, ThreatSearch e Global Tree Search.

 - Uso  do site da BGCI para promover eventos, notícias e listas de empregos.

Você conhece a relação entre as florestas e a água?

Hoje dia 22 de março comemoramos o dia mundial da água e ontem dia 21 de março foi comemorado o dia internacional das florestas. Mas o que estas duas comemorações ambientais têm em comum? Toda a natureza está conectada e o equilíbrio ambiental é fundamental para a manutenção do funcionamento ecossistêmico. As florestas e toda a vida que tem nelas são dependentes da água desde plantas medindo poucos centímetros no sub-bosque, até árvores com dezenas de metros de altura. Para tanto, essas plantas dependem da água da chuva e dos rios próximos e também de rios subterrâneos.

Nós seres humanos somos dependentes desse equilíbrio ambiental, a presença das florestas é primordial para nossa existência, elas são fonte de vida, dos serviços ambientais tais como, nossos alimentos, recursos energéticos, nossa água potável.

Porém, as formações florestais no Brasil têm um passado de degradação ambiental que resultou em uma exorbitante redução da sua extensão da cobertura vegetal, e hoje em dia apesar de entendermos a importância das florestas para a nossa sobrevivência a realidade não é muito diferente, no ano de 2020 ao todo, foram 9205 km² desmatados, o equivalente a 1.100.000 campos de futebol (Greenpeace Brasil).

Além dos desmatamentos, nos últimos anos tem ocorrido um alerta diante dos problemas com os recursos hídricos, seja com a escassez de água durante o período de seca, seja com o excesso de água e as recorrentes inundações na época chuvosa. Diante disso, fica claro que essas alterações são influenciadas pela baixa taxa de infiltração no solo devido à falta de cobertura vegetal (ocasionada pelo desmatamento) que é fundamental para, diminuir a velocidade que a água da chuva chega ao solo, diminuindo assim seu escoamento superficial o que pode ocasionar em enchentes e erosões (Freitas et al. 2013).

Quando a água da chuva precipita sobre a mata ela pode seguir dois caminhos: no primeiro deles ela volta à atmosfera por evaporação do solo e da planta (evapotranspiração); no segundo ela atinge o solo, através das folhas ou das cascas das árvores. Em seguida, parte da água que chega ao solo sofre escoamento superficial e vai para os reservatórios e mananciais e a outra parte fica armazenada temporariamente no solo (infiltração), o que vai sustentar os lençóis freáticos e mananciais subterrâneos (Freitas et al. 2013).

Por tanto, fica nítido a importância da manutenção e preservação das florestas para a “existência” da água para os mais diversos fins, sejam eles, a agricultura, produção de energia, lazer, transporte, higiene, água potável para consumo, dentre outros fins.

Assim, a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas atua na sociedade através de projetos que visam a preservação e conservação da Mata Atlântica, suas fitofisionomias, e seus recursos hídricos; pela produção de estudos e parcerias neste bioma; além da produção e doação de mudas nativas para a população.

Fotos:Angela Liberali Pinheiro (1,2) e Ernesto de Oliveira Canedo Júnior (3).

FREITAS, J. P. O. D.; DIAS, H. C. T., BARROSO, T. H. A.; POYARES, L. D. B. Q. Distribuição da água de chuva em Mata Atlântica. Revista Ambiente & Água, v. 8, n. 2, p. 100-108, 2013.

A Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas possui agora um Herbário digital aberto para consulta de todo acervo

No último dia 23 de fevereiro, a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas (FJBPC), em parceria com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, integrou o acervo do seu Herbário – Anders Fredrik Regnell (AFR) ao sistema JABOT. O JABOT é um sistema de gerenciamento de coleções científicas, desenvolvido no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que disponibiliza dados do acervo biológico de forma online e gratuita, possibilitando aos usuários do sistema o acesso a dados e imagens das exsicatas e coleções correlatas. Atualmente, 55 instituições do país já utilizam esse sistema de gerenciamento, como o próprio Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Museu Nacional da UFRJ, IBGE, Embrapa, entre outras.

Inicialmente, o Herbário AFR já disponibilizou os dados de 4417 exsicatas depositadas no acervo, a maioria da região do Planalto de Poços de Caldas e Serra de Caldas, sendo posteriormente disponibilizadas as imagens digitalizadas destes testemunhos. A curadoria estima que muito em breve, além de todo Banco de Dados da coleção Botânica, outras coleções pertencentes a FJBPC como a coleção de fungos, a coleção viva e a carpoteca também estarão disponíveis no sistema.

O intuito é permitir o uso colaborativo desses dados a usuários, pesquisadores e outras instituições de forma remota e acessível. É um passo importante para a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas e para o Herbário AFR, pois além de gerar melhorias na qualidade e processamento de dados, possibilita analises e pesquisas ambientais. A disponibilização do banco de dados da biodiversidade regional é imprescindível para o conhecimento florístico e pesquisas que visam a preservação de espécies vegetais e conservação do ecossistema.

Para consultar o Herbário AFR digital acesse o link  http://afr.jbrj.gov.br/

 

 

Flávia Nogueira Pereira

Curadora do Herbário Anders Fredrik Regnell 

  

Categoria: 
Conservação

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